Como sempre o jornal O Estado de São Paulo que, ao longo de sua história, defendeu e defende os interesses das classes abastadas do Brasil e do exterior, sejam elas financeira, agrária ou industrial, mais uma vez, faz-se defensor delas contra os interesses da Nação brasileira. Desta vez, porém, exagerou. Mas isto é comum para este órgão de imprensa quando os interesses das classes ricas estão ameaçados.
No editorial de 21 de novembro, "Mutirão pelo Retrocesso", o Jornal volta a reafirmar suas teses ultra-conservadoras, fazendo passar os interesses das elites como se fossem os interesses do Brasil. Controlando o poder econômico e a grande mídia, estas elites exercem o mando sempre de costas para o povo brasileiro, espelhando-se nas metrópoles da Europa ou dos Estados Unidos. O linguajar do jornal revela uma atitude de intolerância e autoritarismo. Não tolera dissenções, nem opiniões contrárias à s suas, agredindo com qualificativos depreciadores, em estilo tendencioso e não profissional.
Entre 1995 e 2002, Lula e o PT criticaram sistematicamente as políticas econômicas e sociais do governo FHC, condenando a trinca FHC-Malan-Armínio por manterem o Brasil numa posição subserviente aos interesses do capital transnacional; por aumentarem sempre mais o endividamento público; por priorizarem o pagamento dos juros acima dos investimentos na infraestrutura e nas políticas sociais; por privatizarem o patrimônio público acelerada e irresponsavelmente; por praticarem atos desonestos e até corruptos em inúmeras ocasiões; por prejudicarem assalariados, funcionários públicos e jubilados com políticas de arrocho salarial e com a desagregação da Previdência pública e a privatização dos serviços que eram obrigação do governo prover à população.
Lula Presidente defende hoje, com idêntica verve, as mesmas coisas que condenava como candidato. Não só defende, mas FAZ. Para isto colocou na cabeça do Banco Central um banqueiro transnacional, ex-presidente de um dos bancos credores do Brasil.
O aramaico foi a língua em que Jesus ministrou seus ensinamentos. Como estes ensinamentos foram conservados pela tradição oral por várias décadas em aramaico, muitos estudiosos acreditam que eles foram primeiramente escritos naquela língua e só mais tarde traduzidos para o grego.
Com a tradução para o grego, e mais tarde para o latim e outras línguas européias, surgiram vários problemas na transmissão dos ensinamentos em virtude da estrutura destas línguas. O aramaico é uma língua antiga e bastante sintética; suas palavras podem ter diferentes significados. O grego só foi introduzido no oriente médio bem mais tarde: os vários significados de cada palavra em aramaico são expressos por duas ou mais palavras diferentes. Poderíamos dizer que as palavras em aramaico são ricas em significado enquanto o grego é uma língua rica em palavras.
Na Amazônia Ocidental brasileira, a agricultura caracteriza-se pela derrubada e queima da floresta, com o plantio de culturas de subsistência, principalmente a mandioca, por dois ou três anos consecutivos e posterior abandono da área. Neste sistema, há uma redução da produção dos cultivos a cada ano causada pela diminuição da capacidade produtiva dos solos, obrigando ao agricultor realizar desmatamentos de novas áreas. Geralmente, uma área abandonada permanece em pousio (capoeira) por 8 a 15 anos, onde ocorre uma recuperação da fertilidade dos solos, pela presença de espécies fixadoras de nitrogênio e pela melhoria de reciclagem e absorção de nutrientes; depois deste período esta área poderá ser reutilizada. Este sistema agroflorestal tradicional, conhecido como "agricultura migratória", não tem contribuído para a melhoria do nível de vida do produtor rural, além de causar sérios danos ao meio ambiente nas regiões com maior densidade populacional.
1. A cidade é construída pelos homens. Mas os homens que a constróem têm interesses e valores diferentes: a cidade que conhecemos hoje é resultado de uma disputa entre os que tratam a cidade como fonte de lucro (os capitalistas) e os que tratam a cidade como espaço de vida (os moradores).
2. Nesta disputa, como os interesses dominantes são os dos grupos econômicos dominantes - que conseguem, geralmente, eleger autoridades e representantes que vão defender seus interesses (do presidente ao prefeito, passando pelo governador) -, as cidades são, primeiramente, montadas e organizadas para servir ao capital (Ã s grandes empresas, ao grande comércio, aos bancos, Ã indústria automobilística, Ã s grandes imobiliárias). E o que vai ocorrer é que os recursos públicos (os impostos pagos por toda a população) vão ser usados prioritariamente a serviço de interesses particulares, de um pequeno grupo, de uma elite, e não de toda a população.
19. Esta é, aliás, a primeira dificuldade enfrentada por este tipo de governo: a ânsia popular por ver finalmente atendidos suas exigências seculares. E que governo municipal nenhum tem condições de atender imediatamente. Mas pode atender a médio prazo, pode atender, no prazo de um mandato apenas, a algumas reivindicações populares. Aqui, neste particular, é impressionante o que é possível se fazer, quando há vontade política, num município – seja ele grande, médio ou pequeno, tenha ele muitos ou poucos recursos. Um município como Janduís, no Rio Grande do Norte, conseguiu, numa gestão apenas, oferecer o único serviço psiquiátrico gratuito de todo o interior. Um outro município pequeno do litoral cearense, Icapuí, conseguiu colocar todas as crianças na escola, antes mesmo de haver escolas suficientes para todos: salas de aula foram improvisadas em salões paroquiais, em igrejas, sob as árvores. São Paulo conseguiu, numa única gestão, melhorar enormemente a qualidade do ensino nas escolas municipais, além de oferecer uma merenda escolar de alto teor nutritivo.
Escolhi este assunto para a nossa discussão por duas razões principais. Primeiro, porque a questão afeta todas as cambiantes da esquerda. Pois no nosso tempo nenhuma secção da força de trabalho pode considerar-se imune à desumanizante dureza do desemprego e da precarização. De fato "eventualização" ("casualisation") é mais apropriadamente chamada em algumas línguas de "precarização" ("precarisation"), embora em geral seja tendenciosamente mal representada como "emprego flexível" desejável. Uns poucos meses atrás uns 25 mil empregados do Wesminster Bank tiveram de enfrentar a perspectiva do desemprego (redundancy); hoje os trabalhadores da empresa automobilística Rover - uma parte da bancarrota da orgulhosa corporação transnacional BMW - são lançados aos lobos da insegurança total.
Em 19 de Maio de 1998 o Parlamento francês aprovou uma lei que reduz a semana de trabalho para 35 horas. Legislação semelhante também é aguardada na Itália em futuro não demasiado distante. Seria ingênuo, entretanto, pensar que isto é o fim da história. Pois em Paris o movimento foi imediatamente "descrito por muitos economistas e líderes de negócios como suicídio econômico" [12] , e na Itália antes até de qualquer iniciativa legislativa o líder da Confederação da Indústria Italiana (Confindustria), Giorgio Fossa, tornou absolutamente clara a intenção da sua organização de anular qualquer legislação desse gênero. [13] Além disso, o presidente Fossa da Confindustria (cujo nome em italiano significa, mais apropriadamente, "túmulo") também declarou sem vergonha (como se isto não fosse óbvio para todos os que conhecem a sua organização) que pretende enterrar a lei, se aprovada no Parlamento, com a ajuda de uma "grande coligação" que incluiria os apoiantes mesmo dos partidos da extrema direita. [14] E conforme o seu cinismo habitual, o London Economist assim pontificou acerca da proposta de lei:
Como pode o trabalho — o antagonista estrutural do capital — reagir à tendência de deterioração inseparável do estreitamento da margem de viabilidade do capital produtivo?
Esta pergunta conduz-nos de volta ao terceiro elemento do pedido da Rifondazione para assegurar a semana de trabalho de 35 horas citada no princípio desta palestra: "mudar a sociedade" ("per cambiare la società ") . Pois hoje — em resultado da necessidade do capital de arrancar sem cerimônias [29] mesmo as suas concessões passadas, ao invés de aceder a novas — é totalmente impossível realizar mesmo os objetivos mais imediatos e limitados do sindicalismo tradicional sem tomar a rota que conduz a uma transformação social fundamental. A reconstituição radical do movimento socialista é uma parte vitalmente importante deste processo. [30]
Nos últimos vinte anos, o desemprego se tornou um verdadeiro drama praticamente universal: as taxas de desemprego explodiram mesmo em países onde alguns anos antes não atingiam nem 1%. As explicações que passaram a ser dadas e que, com o tempo, se tornaram dominantes, atribuíram a causa à s inovações tecnológicas (a microeletrônica, as telecomunicações). No caso dos países pouco desenvolvidos, se acrescentou outro fator: a baixa qualificação do trabalhador. Em ambos os casos, a causa do desemprego seria independente das políticas adotadas: seria simplesmente o resultado do progresso (e quem é contra o progresso?). Como resultado do progresso, se exigem trabalhadores mais qualificados, o que coloca a responsabilidade do desemprego sobre os próprios trabalhadores - insuficientemente qualificados para os empregos que existem.
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