IV - O Exacerbamento da religiao do trabalho e o desmentido do respectivo dogma (comentarios)

 

O novo fanatismo do trabalho, com o qual esta sociedade reage à morte do seu ídolo, é a consequência lógica e o estádio final de uma longa história. Desde a época da Reforma, todas as forças dirigentes da modernização ocidental pregaram a santidade do trabalho. Sobretudo nos últimos cento e cinquenta anos, todas as teorias sociais e correntes políticas foram dominadas pela ideia do trabalho. Socialistas e conservadores, democratas e fascistas, combateram entre si de toda a maneira e feitio, mas apesar do ódio mortal que votaram uns aos outros, sempre sacrificaram em comum ao ídolo do trabalho. «L'Oisif ira loger ailleurs» («O ocioso irá viver para outro lado»), dizia o texto do hino da Internacional dos trabalhadores - o eco macabro dessas palavras foi a divisa «Arbeit macht frei» («O trabalho liberta»), exibida por cima do portão de Auschwitz. As democracias pluralistas do pós-guerra fizeram todas as suas juras em nome da ditadura perpétua do trabalho.

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