VII - O trabalho é dominaçao patriarcal (comentarios)

 

Mesmo que a lógica do trabalho e da sua metamorfose em matéria-dinheiro pressione nesse sentido, nem todos os domínios da sociedade, nem todas as actividades efectivamente necessárias se deixam comprimir nesta esfera do tempo abstracto. Por isso, em conjunto com a esfera «separada» do trabalho, e até certo ponto como seu reverso, surgiu também a esfera do lar, da família e da intimidade.

Nesse domínio, definido como «feminino», cabem as muitas e repetitivas actividades da vida do dia-a-dia, que quando muito só excepcionalmente podem ser transformadas em dinheiro: desde limpar a casa até cozinhar, passando pela educação dos filhos e pelo cuidado dos idosos, até ao «trabalho do amor» da típica dona de casa ideal, que retempera o seu marido trabalhador, quando chega esgotado a casa, e lhe «recarrega as energias» afectivas. A esfera da intimidade, enquanto reverso do trabalho, é portanto declarada pela ideologia burguesa da família como esfera da «vida própria» - embora, na realidade, seja a maior parte das vezes apenas um inferno na intimidade.

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