XV - A crise da luta de interesses (resumen)

Por muito que a crise fundamental do trabalho seja recalcada e transformada em assunto tabu, a verdade é que ela marca com o seu cunho todos os conflitos sociais da actualidade. A passagem de uma sociedade de integração de massas para uma ordem de selecção e apartheid não conduziu a uma nova ronda da antiga luta de classes entre o capital e o trabalho, mas sim a uma crise das categorias da própria luta de interesses imanente ao sistema. Já na época da prosperidade, após a Segunda Guerra Mundial, a antiga ênfase da luta de classes tinha empalidecido. Não porque o sujeito, «em si mesmo» revolucionário, tivesse sido «integrado» através de processos de manipulação e corrupção num discutível bem-estar, mas, pelo contrário, porque no desenvolvimento fordista se revelou a identidade lógica entre o capital e o trabalho, enquanto categorias sociais funcionais de uma mesma forma social fetichista. O desejo - imanente ao sistema - de vender nas melhores condições possíveis a mercadoria força de trabalho deixou de ter qualquer elemento que apontasse no sentido da transcendência do sistema.

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